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  • Maria Eliza Castro

COMO QUEBRAR A DINAMICA NEGATIVA QUE IMPEDE O CASAL DE SUPERAR UMA INFIDELIDADE

Atualizado: 29 de Ago de 2019

Descobrir uma infidelidade automaticamente faz com que a pessoa que foi traída passe a considerar o relacionamento como inseguro e o/a parceir@ infiel como não confiável. Em bom português, todos os alarmes se acendem e a pessoa sente que precisa se proteger de ser novamente enganada, ferida e sofrer mais.

Na maioria dos casos, a pessoa que sofreu a infidelidade, além de ficar hipervigilante em relação a cada passo que seu/sua parceir@ dá, tem uma necessidade quase incontrolável de falar da traição o máximo possível. El@ quer saber tudo sobre o caso extraconjugal para poder entender esse “mundo paralelo” em que seu/sua parceir@ vivia, e sobre o qual el@ nada sabia! El@ precisa saber quem realmente é seu/sua parceir@ e se el@ realmente se importa com o relacionamento dos dois. Além disso, comportamentos d@ parceir@ infiel que antes não eram um problema passam a ser gatilhos que, em questão de segundos, podem desequilibrar emocionalmente aquele que foi traído. Por exemplo: 10 minutos de atraso, algumas horas sem dar notícias, ver o outro mexer no celular, viagens a trabalho, amizades com pessoas que agora são vistas como ameaça à relação, likes nas redes sociais, etc, etc, etc.


Tomada pela raiva, pela insegurança, pelo senso de injustiça e pela necessidade de falar sobre o assunto e vigilar o outro, esta pessoa tenderá a abordar seu/sua parceir@ com críticas, queixas, culpabilizações, gritos, explosões, ofensas, demandas, e uma lista de perguntas intermináveis na cabeça.


A pessoa que foi infiel, por outro lado, também está vivendo um turbilhão de emoções: culpa, vergonha, medo, ansiedade, tristeza pelo possível fim do relacionamento e pela dor que causou à/ao parceir@. Ao ser descobert@, sua vida também se torna incerta. Na maioria das vezes, aquele que foi infiel opta por permanecer na relação e tentar fazer as coisas funcionarem de novo. No entanto, os ataques, interrogatórios, acusações e brigas sem fim cansam e esta pessoa tenderá a não querer falar do assunto, ou a falar de uma forma muito defensiva, protegendo-se e justificando-se.


E assim se instala um padrão de interação rígido e nocivo (ou ciclo negativo) entre os dois:


- QUANTO MAIS aquele que foi infiel se defende, se esquiva, se cala e evita falar do assunto porque: 1) tem medo do que essas conversas possam causar para a relação (sobreviverá?), para o outro (será mais ferid@ ainda?) e para si (tenho valor se fiz tudo isso?) e 2) sente-se triste de ver a dor que causou à/ao parceir@ traíd@... MAIS aquele que foi traído questiona, pergunta, culpa, reclama, ofende porque percebe o comportamento do outro como indiferença a sua dor e: 1) tem medo de não ser realmente importante, 2) sente-setriste pela deslealdade e por questionar seu próprio valor (se sofri essa traição será que tenho valor como mulher/homem?).


Este ciclo negativo acaba impedindo os dois de terem as conversas que precisam ter para reconectar-se e curar-se, e podem levar ao fim do relacionamento.


Como então, sair desse ciclo, Eliza? Bom, no mundo ideal, você precisa urgentemente procurar um/a terapeuta de casal ESPECIALIZAD@ em infidelidade. No mundo real, sei que nem sempre isso é possível, por questões financeiras ou falta de profissionais bons disponíveis. Por isso, tentarei explicar como quebrar esse ciclo. Ainda que a teoria seja muuuito mais fácil do que a prática, acho importante que pelo menos o casal saiba o quê e como fazer.


Se vocês prestaram atenção na descrição que fiz do ciclo negativo (sugiro reler essa parte do texto!) devem ter percebido que por baixo de toda reatividade, raiva e queixas de quem foi traíd@ há MEDO e TRISTEZA. E que por baixo de toda esquiva e defensividade de quem traiu, TAMBEM HÁ MEDO E TRISTEZA! Pois bem, o que mantém o casal EMPACADO no ciclo negativo é sua incapacidade de compartilhar com o outro seu MEDO e TRISTEZA.


Quem traiu só vê raiva e acusações da outra pessoa; quem foi traído só vê distanciamento e defensividade de quem foi infiel. E’ simplesmente impossível haver conexão emocional dessa forma. Os dois se “percebem” como inacessíveis e perigosos! “Se el@ não liga pro que eu estou sentindo, não vou baixar minha guarda”. “Se el@ só me critica e ofende, não vou me abrir, nem me aproximar”. E assim, o casal vai se afastando...


É preciso, portanto, poder conversar sobre a tristeza e o medo, poder acessar essas emoções e compartilhá-las com o outro. As pessoas podem se conectar e empatizar com medo, tristeza, mas não conseguem empatizar com raiva e distanciamento ou reatividade.


Se você não pode ter um bom terapeuta de casal para te guiar nesse processo, recomendo o livro “Abraça-me forte” da terapeuta de casal Sue Johnson. Há nesse livro um capítulo específico sobre situações de quebra de confiança que pode ajudá-los a ter as conversas que precisam ter, acessando cada um, sua parte mais vulnerável. Depois me contem!

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