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  • Maria Eliza Castro

FUI TRAIDA/O, E AGORA?

Você acabou de descobrir uma traição e sente-se absolutamente perdida/o. Ou então, você é a pessoa que foi infiel, está arrependida e também não sabe o que fazer. A primeira coisa que precisam saber é que isto é absolutamente normal, ainda que extremamente difícil. A fase inicial após a descoberta de uma infidelidade é avassaladora para o casal. Ainda assim, há coisas que podem ser feitas e outras que devem ser evitadas, para que o processo de recuperação seja um pouco menos doloroso (indolor, impossível) e um pouco menos lento (rápido, impossível também).


O objetivo deste artigo é ajudar, tanto quem sofreu a infidelidade, quanto quem a cometeu, a saber o que fazer e o que não fazer, nesta situação. Vamos lá:


Para quem sofreu a infidelidade:

  • não tome nenhuma decisão importante nos próximos 90 dias se seu/sua parceiro/a demostra interesse em permanecer na relação. Você se sentirá numa verdadeira montanha russa de emoções. Em alguns momentos você estará bem e com vontade de investir no relacionamento, em outros, você estará dominada/o pela raiva e querendo largar tudo; e em outros, se sentirá emocionalmente anestesiada/o. Estas reações são normais e decorrem do trauma de ter descoberto a infidelidade (Sim! Psicologicamente a traição é vivida como um trauma). Porém, com a ajuda profissional correta, vocês podem atravessar esse processo juntos e terminá-lo mais saudáveis e felizes como pessoas e como casal. E’ difícil, mas absolutamente possível e muitos casais conseguem;

  • nos momentos de ira e raiva, não faça nada do qual você possa se arrepender depois (agressão física ou verbal contra a pessoa que te traiu, ou contra o/a terceira pessoa envolvida na história). A sua raiva é legítima, mas não justifica nenhum tipo de violência;

  • se você sentir vontade de fazer algo contra si própria/o, busque ajuda psiquiátrica imediatamente!

  • evite buscar e perguntar por detalhes sexuais da infidelidade e sobre características físicas da outra pessoa. Evite também ler as trocas de mensagens, e-mails, ver fotos, etc. Essas informações irão intensificar todas as suas emoções negativas, tirarão o seu sono e dificultarão imensamente o processo de recuperação e reconexão emocional e sexual. Ver tudo isso é retraumatizante;

  • quando seu/sua parceiro/a revelar informações sobre o caso, não agrida-o/a. Quando você faz isso, está passando a mensagem para ele/a que é melhor não te contar a verdade;

  • não dê ultimatos que você não vá cumprir. Se você faz isso, só está ensinando que seus limites não devem ser respeitados pelo outro;

  • busque ajuda de um/a amigo/a ou familiar que possa te apoiar, mas que seja uma pessoa equilibrada, e que irá aceitar qualquer que seja sua decisão; ficar ou sair do relacionamento. Não denigra seu/sua parceiro. Isso pode ser muito ruim para vocês, caso decidam seguir juntos;

  • conecte-se com sua espiritualidade, isso ajudará a lidar com a dor que está sentindo;

  • esteja disposta/o para, ao longo do processo, avaliar como você pode ter contribuído para deixar a relação vulnerável para a infidelidade ocorrer. Isso NÃO quer dizer que você é responsável pela infidelidade. De forma alguma! Esta responsabilidade é 100% de quem escolheu trair. Mas sim, podia haver algo acontecendo na relação (pela qual os dois são responsáveis) que abriu espaço para uma 3ª pessoa entrar;

  • não aja como se a pessoa que te traiu te deve algo porque foi infiel e que cabe só a ele/ela consertar a relação. Este tipo de atitude afasta o outro e dificulta qualquer tipo de desejo genuíno de reconexão da parte dele/a;

  • não se permita ficar tempo demais na tristeza gerada pela infidelidade. Não deixe que essa situação te defina como pessoa, que passe a ser parte da sua identidade (“agora entrei para o clube dos traídos e nunca mais vou sair”). Nos primeiros meses, é normal que se sinta assim, mas com o passar do tempo é necessário que você tome uma decisão consciente de seguir adiante e adote uma postura de “Eu vou me curar, eu vou seguir adiante”;

  • tenha uma vida para além da infidelidade. Busque as/os amigas/os, trabalhe, distraia-se, faça coisas que te deem prazer e elevem sua autoestima. Coloque-se metas. Sua vida não pode girar em torno da infidelidade, isso não é saudável para você, nem para o processo de recuperação que estão vivendo como casal;

  • cuide da sua saúde física. Procure alimentar-se bem, dormir bem. Isso irá te dar força para enfrentar esse processo tão difícil. Eu sei que parece impossível nesse momento, mas acredite, deve ser sua meta. Se não conseguir sozinha/o, busque ajuda profissional;

  • busque terapia de casal especializada para ajudá-los/a a sair dessa sensação de areia movediça (quanto mais vocês tentam sair do problema, mais vocês se afundam). E’ muito difícil atravessar isso sozinhos!

Para quem cometeu a infidelidade

  • sua honestidade após a descoberta da infidelidade é fundamental. Eu sei que parece um conselho louco já que cada vez que sua/seu parceira/o descobre algo novo ela/ele fica com mais raiva de você, certo? Eu sei, você acha que vai perder tudo se for honesto. Mas a chance de você perder tudo é muito maior se continuar a mentir. Se sua intenção é permanecer e resgatar esse relacionamento, quanto mais honesto/a e transparente você for, maior a chance dela/e voltar a confiar em você, com o tempo. Por outro lado, se as informações sobre a traição forem sendo reveladas em “doses homeopáticas” e tendo que ser tiradas de você “a fórceps”, ou pior, descobertas após uma investigação obsessiva por parte de quem foi traída/o, mais desconfiada/o ela/e ficará. As pessoas têm um certo nível de tolerância à dor e à mentira e, após um tempo, desistem de acreditar de vez. Por isso, lave a roupa suja toda de uma vez, sem hesitar. Não é necessário contar os detalhes sexuais, nem o quanto você ama a outra pessoa (se for o caso), mas fora isso, conte sobre como e quando começou, frequência dos encontros (reais ou virtuais!), modus operandis dos encontros e quando ocorriam, etc, etc. Vai ser muito difícil e doloroso para ela/e escutar, e, provavelmente você se sentirá muito culpado/a e envergonhado/a em contar tudo, mas esta atitude de disponibilidade e transparência aumenta muito a chance de sobrevivência da relação a longo prazo. Normalmente, o que mais machuca na infidelidade são as mentiras, segredos e desonestidade. Continuar a mentira é cruel com a outra pessoa e a mantém hipervigilante. Quebre esse padrão - o quanto antes, melhor;

  • mostre que você esta disposto a fazer tudo que for necessário para recuperar a relação e que se importa com o que ela/e está sentindo. Demonstre remorso. E’ importante você demonstrar que está triste, não por que foi descoberto/a, ou porque tem saudades da/o seu/sua amante (ainda que isso possa ser verdadeiro e compreensível), mas sim pela dor que causou a sua/seu parceira/o;

  • entenda as reações negativas da/o sua/seu parceira/o. A traição é uma situação traumatizante. As atitudes dela/e são tentativas para tentar se proteger, para não se machucar ainda mais. Raiva, choro, tristeza, suspeita, controle, milhões de perguntas; tudo isto é normal. Ela/e está aterrorizada/o. Não sabe mais quem você é. Entenda essas reações, mesmo que testem a sua paciência. (Isso não quer dizer que ela/e pode te agredir verbal ou fisicamente!);

  • entenda que o humor e as emoções da sua parceira/o serão muito instáveis por algum tempo. Ela/e não está ficando louca/o. Simplesmente, está apresentando sintomas de estresse pós traumático. Um dia estará bem, no outro péssima/o. E, às vezes, no mesmo dia, estará bem e péssima/o. Basta que alguma lembrança da infidelidade venha a sua mente, ou que algo a deixe insegura/o e pronto, o ambiente que estava pacífico se transforma num campo minado. Expresse sua compreensão, apoie, acolha. Há muita dor embaixo da raiva e muito medo de uma nova traição;

  • o processo de recuperação de vocês como casal vai caminhar junto com a sua disposição para cuidar do outro, da relação, de nutrir e apoiar a/o parceiro/a traída/o.

  • as mesmas perguntas serão feitas várias vezes. Pode ser porque ela/e não entendeu ou porque não acreditou em você. Ela/e estará hipervigilante, um verdadeiro detector de mentiras. Sempre que ela/e achar que você está omitindo ou mentindo, seguirá perguntando. Ela/ele precisa se reassegurar de que entendeu tudo, que conseguiu montar o quebra-cabeça da traição. Não seja reativo às perguntas. Responda-as uma e outra vez;

  • Ela/e vai querer saber por que você traiu. Se você não tem essa resposta, busque-a. Eu sei que nem sempre há uma resposta fácil e óbvia. Porém, enquanto ela/e não entender porque você traiu, ficará insegura/o e com medo de que aconteça de novo;

  • não minimize a dor da/o sua/seu parceira/o. Ela é real e profunda. Não foque apenas na sua dor, culpa e vergonha sem olhar para e reconhecer a dor dela/e.

  • termine o caso de forma imediata e definitiva. Não dê esperanças, nem se comunique de forma escondida com seu/sua amante. Caso a/o encontre casualmente, conte ao seu/sua parceiro/a;

  • se você sentir vontade de fazer algo contra si própria/o, busque ajuda psiquiátrica imediatamente!

Como vocês perceberam não é um processo fácil, nem para quem sofreu a infidelidade, nem para quem a cometeu. Mas é possível. A pessoa que foi traída, em geral, quer libertar-se do ressentimento, porém precisa ter certeza que seu/sua parceiro/a está realmente engajado em reconstruir a relação e a confiança e sente remorso pela dor causada. Isso leva tempo e requer esforço e compaixão das duas pessoas e a melhor forma de atravessar isso é com terapia de casal especializada em infidelidade.


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